Estenose aórtica: sintomas, causas e tratamento


Apesar de serem vistos há muito tempo como doenças masculinas, os problemas no coração afetam o mesmo número de mulheres e de homens, só que elas tendem a desenvolver e chegar a óbito pela doença cerca de dez anos depois deles, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). E, mesmo que as mortes por problemas coronários tenham diminuído ao todo, há sinais de que a doença, seus precursores e suas consequências potencialmente fatais estejam aumentando entre os jovens, principalmente do sexo masculino.

Já no caso da estenose aórtica, que é um estreitamento da válvula aórtica, de fato, é mais comum em homens e acima dos 75 anos, devido à degeneração dos folhetos, como explica a seguir o cardiologista Dr. Sérgio Tavares. No entanto, a doença pode afetar indivíduos mais jovens, tendo como causa uma doença congênita. De acordo com Dr. Sérgio Tavares, a doença decorre do estreitamento da válvula, causando dificuldade de sua abertura, levando a um esforço progressivamente maior realizado pelo coração para bombear o sangue pelo corpo. “Quando assintomática, podemos descobrir através do exame físico associado a análises complementares, como por exemplo, o ecocardiograma, radiografia de tórax e eletrocardiograma, em que detectamos a estenose aórtica”, explica o especialista.

Quando o sangue regressa do corpo até o coração, ele entra pelo átrio direito. A partir daí, o sangue desemboca no ventrículo direito. O ventrículo direito bombeia o sangue para os pulmões, onde o sangue é oxigenado. O sangue dos pulmões, em seguida, retorna para o coração, mas desta vez para o átrio esquerdo. O sangue então flui para o ventrículo esquerdo - bomba principal do coração. A cada batimento cardíaco, o ventrículo esquerdo bombeia o sangue através da válvula aórtica para a aorta, a maior artéria do corpo. A válvula aórtica se abre para permitir a passagem do sangue do coração para a aorta e fecha-se para evitar que o sangue ejetado para o corpo retorne para o coração sobrecarregando-o. “Quando ela não se abre totalmente, temos a estenose aórtica, dificultando a passagem do sangue e, quando ela não se fecha totalmente, temos a insuficiência aórtica, com sangue retornando para o coração”, comenta Dr. Sérgio Tavares. SINTOMAS Pessoas com estenose aórtica moderada ou leve geralmente não apresentam sintomas, uma vez que o coração compensa o estreitamento da válvula. Os sintomas só começam a aparecer quando a pressão arterial aumenta ou se o fluxo de sangue no corpo está reduzido. O indivíduo pode sentir alguns sintomas ao se exercitar ou fazer qualquer atividade que exija esforço físico, uma vez que o coração precisará trabalhar mais e precisará de mais sangue. “Os sintomas incluem dor ou pressão no peito (angina), que pode ser descrita como um peso sobre o peito. Também pode haver sensação de queimação, choque ou aperto nos braços, ombros e pescoço, tontura, desmaio ou perda de consciência”, esclarece Sérgio Tavares. CAUSAS

Entre as principais causas de estenose aórtica estão: cardiopatia congênita, acúmulo de cálcio na válvula e a febre reumática. TRATAMENTO

“O implante percutâneo de valva aórtica (TAVI) é uma nova metodologia terapêutica para o tratamento da estenose aórtica, cada vez mais utilizado em todo o mundo. Essa técnica caracteriza-se por ser menos invasiva que a cirurgia convencional da valva aórtica. Inicialmente era indicada para os pacientes com contraindicações à cirurgia convencional. Com o avanço das técnicas e de novos materiais, houve uma ampliação muito grande das indicações, sendo utilizada também nos pacientes de alto risco para cirurgia convencional”, diz Dr. Sérgio, enfatizando que em alguns países como a Alemanha, essa nova técnica sobrepõe a cirurgia convencional nessa população. O médico Sérgio Tavares também elucida que nesse procedimento uma nova válvula é colocada no lugar da válvula doente por meio de um pequeno tubo denominado cateter, de uma maneira muito menos invasiva que a cirurgia convencional. “Estudos demonstram que a técnica é capaz de reduzir o tempo de internação, abreviar a recuperação, reduzir a possibilidade de transfusão sanguínea e o risco operatório”, explica Sérgio Tavares. Ainda de acordo com o especialista, o tratamento da estenose aórtica não acaba com o implante da válvula. Após o procedimento é fundamental que o paciente seja reavaliado periodicamente pela equipe de especialistas. “As reavaliações buscam orientar o paciente sobre diversos aspectos incluindo eventuais restrições de atividade física, programa de reabilitação cardiovascular, retomada das atividades habituais e orientações alimentares”, complementa o cardiologista.

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